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Jun/2008 | Determinação e medalha: nem sempre um casamento perfeito

Lembrem-se comigo do que o nadador Michael Phelps fez durante esses Jogos Olímpicos, em Pequim. Mais que um verdadeiro “papa-medalhas”, esse atleta diferenciado se destaca pela força de vencer. Mais que ter uma anatomia perfeita para ser nadador, ele quis vencer, ele focou todos os ouros. E ganhou quantos quis.

No entanto, o mesmo sentimento de determinação do norte-americano também foi usado por alguns brasileiros que não foram nem perto de Phelps. A começar, por exemplo, com nossos primeiros medalhistas. A judoca Ketleyn Quadros apareceu do nada. Aos 20 anos de idade, ela veio no melhor jeito mineira de ser, embora seja natural de Brasília, e surpreendeu a todos de forma positiva. Agora, imagine a diferença entre a vontade de vencer dela e a vontade de vencer de Phelps. Encontrou alguma diferença? Eu não!

Gostaria de pedir licença para chamar a atenção para outro vencedor do judô. Desculpem-me os medalhistas, mas falo de Eduardo Santos. Um paulista totalmente desacreditado e que chegou em Pequim com uma determinação fora do comum. Apesar de se sair muito bem, derrubando adversário por adversário, Eduardo acabou em sétimo. Isso sem considerar algumas marcações duvidosas dos árbitros, mas não é o caso discutir isso aqui. Quero, mais uma vez, comparar a força de Eduardo com a de Phelps. Alguma diferença para você? Confesso que pra mim não, outra vez.

Nem sempre a determinação é sinônimo de medalha. Isso não quer dizer que você deva dar uma brecada na sua força de vontade na sua vida, seja pelo lado pessoal, profissional ou esportivo. Muitas vezes, você não será lembrado pelas dez medalhas de ouro, mas pelo o que você representou como profissional, como ser-humano.

Nunca vai valer a pena o desleixo, a acomodação. Também não conte com a sorte, porque ela parece uma barata tonta, que resolve aparecer onde bem entende e pode nunca bater na nossa porta. Por mais revoltante que seja, não deixe que a desorganização de sua empresa, ou falta de apoio no seu esporte te impeça de trabalhar. Não procure um problema, procure sempre as soluções, as medalhas.

Em 2004, o brasileiro Vanderlei Cordeiro corria pelo ouro, lembra? Pois é, mas ela não ganhou. Ele foi seguro por um maluco irlandês no meio da maratona, que quebrou todo o ritmo do atleta. Um perigo para qualquer esportista. Só que o mundo se rendeu ao espírito olímpico de Vanderlei e o ouro do italiano ficou ofuscado. No melhor sentido da palavra.

Por isso, o ensinamento dos atletas brasileiros em Pequim deve imperar. Usufrua desse momento olímpico e faça da determinação, medalhas para sua vida. Subir no pódio sempre será uma conseqüência lógica.


José Rubens D`Elia
Preparador Físico Robert Scheidt
Fábrica de Campeões

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